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Costurando histórias: Conheça a artesã Silvana Cardoso e sua arte Quilling

  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

A artesã Silvana Cardoso expõe sua arte na feira organizada pelo Coletivo Arte na Garagem, em Bragança Paulista
A artesã Silvana Cardoso expõe sua arte na feira organizada pelo Coletivo Arte na Garagem, em Bragança Paulista

Entre linhas, papéis, bordados e memórias afetivas, a artesã Silvana Cardoso de Almeida construiu muito mais do que peças artesanais: construiu uma trajetória marcada pela arte, pela sensibilidade e pela resistência. Integrante do Coletivo Arte na Garagem, um Ponto de Cultura de Bragança Paulista, ela carrega no trabalho manual a essência da resistência, da criação e do respeito aos processos da arte.

Bibliotecária por formação, Silvana conta que o artesanato sempre esteve presente em sua trajetória. As primeiras lembranças da infância já estavam conectadas à criação manual: o pai artesão e a mãe costureira despertaram nela, ainda aos seis anos de idade, a vontade de aprender a costurar, mesmo antes de saber escrever.

Com o passar do tempo, vieram as descobertas de novas técnicas. Costura criativa, vitral, encadernação, pintura em tela, bordado, tricô, crochê e decoração em madeira passaram a fazer parte do seu universo criativo. Em muitos momentos, aprendeu sozinha, entre tentativas, erros e acertos. Em outros, buscou cursos presenciais e inspiração em grandes eventos de artesanato.

Foi em 2017 que encontrou uma paixão especial: o Quilling, técnica artística feita em papel. Desde então, mergulhou ainda mais no universo artesanal, estudando, praticando e se inspirando em outros artistas da área. Em 2015, oficializou o Lan Design Ateliê como MEI, trabalhando ao lado da filha, Laura Lanford, também artesã e escritora.



Para Silvana, criar é uma necessidade diária. É no artesanato que ela encontra paz, conexão e felicidade. Embora o trabalho tenha se tornado mais profissional nos últimos anos, com produção voltada para feiras, eventos e encomendas personalizadas, o sentido principal permanece o mesmo: fazer aquilo que ama. “Quer me ver bem, feliz, em paz e desconectada do mundo, é aquele momento do dia em que estou no artesanato”, revela.

Mais do que técnica, o trabalho artesanal carrega emoção, identidade e propósito. Algumas peças seguem tendências de mercado, mas outras nascem da pura liberdade criativa, sem prazo ou obrigação. Quadros em Quilling e projetos autorais são exemplos de criações que surgem do afeto, da inspiração nas pessoas e nos lugares.


Laura, filha de Silvana, e Silvana - esta peça está em Exposição no Centro Cultural de Bragança Paulista - é Artesanato em papel, uma flâmula bordada à mão, com flores em papel.
Laura, filha de Silvana, e Silvana - esta peça está em Exposição no Centro Cultural de Bragança Paulista - é Artesanato em papel, uma flâmula bordada à mão, com flores em papel.

Ao falar sobre o tempo de produção de uma peça, Silvana reflete sobre algo que considera impossível de medir. Para ela, arte não se resume a horas ou valores financeiros. “O artista coloca sua alma, seus sentimentos, sua história e conhecimento em sua criação”, destaca.

Na visão da artesã, o verdadeiro valor do artesanato está justamente naquilo que não pode ser reproduzido em massa: a essência humana. Em tempos de industrialização acelerada, ela acredita que a arte manual resiste como um espaço de liberdade, memória e consciência. “Arte é vida, é libertação, é resistência”, afirma.

Essa consciência também atravessa sua relação com sustentabilidade e responsabilidade social. Silvana defende o chamado “artesanato verde”, com atenção ao uso de materiais sustentáveis, recicláveis e fornecedores comprometidos com a dignidade humana. Para ela, respeitar o processo criativo também significa respeitar pessoas, histórias e o meio ambiente.

Ver uma peça pronta continua sendo um momento emocionante. Segundo ela, existe um instante em que a criação parece ganhar vida própria. “O artesão vira instrumento e a peça apresenta uma personalidade que não saiu apenas da nossa cabeça ou das nossas mãos”, descreve.

Ao longo da vida, o artesanato transformou não apenas sua profissão, mas também sua forma de enxergar o mundo. A palavra que resume essa mudança, segundo ela, é “respeito”: respeito ao tempo, ao processo, à criação e às pessoas.

Para mulheres que desejam começar no artesanato, Silvana deixa um incentivo cheio de sensibilidade e acolhimento. “Sempre é tempo de começar”, afirma. Para ela, toda mulher carrega naturalmente a capacidade de criar, e o artesanato pode se tornar um caminho de liberdade, expressão, renda e legado.

Além do trabalho individual, ela também convida mulheres a conhecerem espaços coletivos de aprendizado e troca, como o Coletivo Arte na Garagem, formado por artesãs que promovem feiras, oficinas e aulas em Bragança Paulista.



E quando precisa resumir em apenas uma frase aquilo que o artesanato representa em sua vida, Silvana não hesita: “Artesanato é Vida, Liberdade e Resistência.”

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