Costurando histórias: artesã Silvia Lerner transforma crochê, tricô e bordado em arte em Bragança Paulista
- 19 de mar.
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No dia 19 de março é celebrado o Dia do Artesão, data que reconhece o talento e a dedicação de quem transforma matéria-prima em peças únicas feitas à mão. Para marcar a ocasião, o Conexão Elas inicia uma série especial dedicada a valorizar as histórias de artesãs de Bragança Paulista — mulheres que, com criatividade e sensibilidade, mantêm viva a tradição do trabalho artesanal.
A primeira personagem dessa série é Silvia Lerner, artesã que trabalha com crochê, tricô, bordado e macramê. Para ela, o artesanato está presente na vida desde muito cedo.

“Desde criança eu já tinha um lado empreendedor. Com apenas sete anos, fazia pulseirinhas de crochê coloridas e vendia na escola”, lembra.
Silvia começou a se aprofundar nas técnicas ainda jovem. O crochê e o tricô foram aprendidos com a mãe, enquanto o bordado surgiu nas aulas de artes do Colégio Coração de Jesus, onde estudou. Aos 16 anos, já colocava em prática o que sabia ao confeccionar o próprio enxoval para o filho.
Embora o artesanato sempre tenha feito parte da sua rotina, foi em 2005 que ela passou a trabalhar de forma profissional com as peças feitas à mão.
Criatividade que nasce entre fios
Hoje, Silvia domina diferentes técnicas, mas confessa ter um carinho especial pelo bordado — ainda que o crochê seja sua grande paixão. Durante a pandemia, decidiu aprender também o macramê, ampliando ainda mais as possibilidades de criação.

A inspiração para as peças, segundo ela, vem principalmente das crianças. “Sou muito criativa, minha cabeça não para. Gosto de inventar e criar coisas novas. Muitas vezes precisamos seguir o que o cliente pede, mas sempre procuro colocar meu toque pessoal em cada peça.” A artesã conta que a noite costuma ser o melhor momento para criar. “É quando tudo está mais tranquilo e sem interrupções.”
O valor do feito à mão
Produzir uma peça artesanal exige tempo, dedicação e paciência. Algumas criações podem ficar prontas em poucas horas, enquanto outras levam semanas ou até meses para serem concluídas.
Em uma época marcada pela produção em massa, Silvia acredita que o trabalho artesanal tem um valor especial.
“O artesanal vale muito. Precisamos valorizar nosso trabalho. Hoje muitas pessoas estão voltando a dar valor para o que é feito à mão. O artesanato também ensina que nada é imediato — tudo tem um processo.”
Além de produzir peças, Silvia também compartilha seu conhecimento. Ela oferece aulas de artesanato para adolescentes e adultos e conta que acompanhar a evolução dos alunos é uma das partes mais gratificantes do trabalho.
Um coletivo que fortalece artesãs
Silvia também é responsável pela criação do Arte na Garagem, coletivo que nasceu no final da pandemia. Segundo ela, o grupo surgiu da necessidade de retomar o convívio social e criar um espaço onde as artesãs pudessem mostrar e compartilhar seus trabalhos. “O que começou como um grupo se transformou em um coletivo e hoje é um Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura”, explica.
O projeto também incentiva a formalização das artesãs. Silvia possui a Carteira Nacional e a Carteira Estadual do Artesão, além de atuar como Microempreendedora Individual (MEI), o que permite comercializar as peças de forma profissional e emitir nota fiscal.
Orgulho em cada peça

Para Silvia, ver uma peça finalizada é sempre um momento especial. “Sinto muito orgulho de transformar um novelo em uma peça única. Também é muito especial realizar os sonhos das clientes. Às vezes até brinco que me sinto um pouco como o Papai Noel”, diz, entre risos.

Ela acredita que o artesanato também mudou a forma como a sociedade enxerga esse trabalho. “Hoje ele é muito mais valorizado. Não é mais visto como algo apenas de ‘vó’ ou só para mulheres. O artesanato é para todos.”
Um convite para começar
Para quem tem vontade de aprender, mas ainda não deu o primeiro passo, Silvia deixa um conselho simples e direto: “Comecem! Nunca é tarde para aprender. Procurem cursos, porque existem muitos ótimos — tanto para aprender as técnicas quanto para entender sobre vendas e precificação.”
Ao definir o artesanato em uma frase, ela resume o sentimento que move seu trabalho: “O amor está nos detalhes.”




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