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Quem é Patrícia Ianda: a atibaiense que une assistência social, gestão pública e inovação

1 de jun.
5 min de leitura

Psicóloga de formação, ex-secretária em diferentes municípios e hoje CEO de uma GovTech voltada ao SUAS, Patrícia Ianda construiu uma trajetória entre políticas públicas, tecnologia e impacto social


Ao longo da carreira, Patrícia ocupou cargos estratégicos na área pública, com atuação direta na estruturação e fortalecimento de políticas sociais
Ao longo da carreira, Patrícia ocupou cargos estratégicos na área pública, com atuação direta na estruturação e fortalecimento de políticas sociais

Patrícia Ianda não construiu sua trajetória em uma única frente. Moradora de Atibaia há mais de 15 anos, cidade que escolheu para viver, ela passou pela Psicologia, pela gestão pública, pela assistência social e hoje atua também no campo da inovação, liderando uma GovTech voltada à modernização do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O que conecta esses caminhos é o mesmo eixo: transformação social.

Ao longo da carreira, Patrícia ocupou cargos estratégicos na área pública, com atuação direta na estruturação e fortalecimento de políticas sociais. Em Atibaia, esteve à frente da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, onde participou da reorganização dos serviços socioassistenciais e da ampliação do acesso da população aos programas. Também atuou em outras cidades, como Guarulhos e Bertioga, além de integrar a gestão estadual, com participação na coordenação de políticas ligadas ao SUAS. Sua trajetória reúne experiências em diferentes níveis da gestão pública, com foco em atendimento à população em situação de vulnerabilidade.

Patrícia Ianda gosta de falar em transformação. Mas, antes dos cargos, das entregas e da atuação pública, ela se define de outra forma: como alguém apaixonada pela vida, pela natureza, pela família e pelo desafio de fazer diferença na vida das pessoas.

Mãe de três filhos e avó, ela diz que carrega uma postura estratégica diante da vida e uma disposição constante para seguir em frente, mesmo diante das dificuldades. “Quando tenho um objetivo, me torno incansável”, afirma. Mais do que se ver como inspiração, prefere dizer que encontra motivação ao perceber a mudança no olhar de outras pessoas, especialmente de mulheres e famílias que conseguem enxergar novas possibilidades.


Início das atuações


A formação em Psicologia ofereceu repertório técnico para compreender realidades complexas
A formação em Psicologia ofereceu repertório técnico para compreender realidades complexas

A base dessa trajetória começou cedo. Aos 17 anos, Patrícia passou em Direito e em Psicologia, mas escolheu a segunda formação por entender que ela lhe permitiria olhar o ser humano de forma integral. Na prática, porém, as duas áreas apontavam para uma mesma direção: garantir direitos e cuidar de pessoas.

Foi no contato com o trabalho voluntário e filantrópico que ela percebeu, com mais nitidez, o tamanho da carência existente no atendimento à população em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, enxergou ali uma possibilidade concreta de atuação. Segundo ela, a formação em Psicologia ofereceu repertório técnico para compreender realidades complexas, enquanto a aproximação com as políticas públicas mostrou que seria possível ampliar esse impacto para além de ações pontuais.

Ao longo da carreira, Patrícia transitou por diferentes frentes: consultório, recursos humanos, setor privado, eventos e gestão pública, consolidando uma trajetória ligada à formulação e execução de políticas públicas voltadas à população vulnerável.


Empreendedorismo


“Muitos falam sobre ‘virada de chave’, mas acredito que a grande virada está na tecnologia, não apenas em desenvolver tecnologia, mas em entender pessoas”
“Muitos falam sobre ‘virada de chave’, mas acredito que a grande virada está na tecnologia, não apenas em desenvolver tecnologia, mas em entender pessoas”

Embora tenha construído uma carreira técnica e administrativa, ela identifica um ponto de virada mais recente: o momento em que passou a se reconhecer como empreendedora. Patrícia é CEO do SUAS Fácil, uma GovTech voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para qualificar a gestão da assistência social e apoiar equipes e municípios na organização de processos e dados. A proposta da plataforma é tornar o trabalho mais ágil, organizado e eficiente.

“Quando me reconheci como empreendedora, entendi o meu potencial e até onde eu poderia chegar. Muitos falam sobre ‘virada de chave’, mas acredito que a grande virada está na tecnologia, não apenas em desenvolver tecnologia, mas em entender pessoas. Hoje empreendo de forma diferente: entendendo pessoas, processos e contextos. A virada foi acreditar na minha capacidade, mesmo com medo, e fazer dar certo. Hoje impactamos mais de 40 famílias diretamente, além de inúmeros clientes e vidas transformadas”, destacou.

A relação com a tecnologia, no entanto, não surgiu por afinidade abstrata com inovação, mas por uma leitura prática dos desafios da área. Patrícia afirma que um dos principais problemas do SUAS ainda é a falta de dados organizados, de registros consistentes e de instrumentos que permitam diagnosticar realidades com precisão. Para ela, sem informação estruturada, a gestão perde capacidade de análise, de planejamento e até de convencimento sobre a necessidade de investimento público.

“Cidadão-centrismo”

Ao falar sobre assistência social, Patrícia destaca que a área ainda é mal compreendida no Brasil. Para ela, persiste o estigma de que assistência se resume à entrega de benefícios, quando na verdade se trata de uma política pública estruturante, capaz de diagnosticar vulnerabilidades e ajudar a orientar outras políticas de forma mais assertiva. Também chama atenção para o subfinanciamento do setor e para a necessidade de colocar o cidadão no centro das decisões. “O ‘cidadão-centrismo’, como costumo falar. Nós temos diagnóstico, mas precisamos usar isso para promover políticas públicas mais assertivas. A assistência social é uma política primária, transversal e estratégica.”

Pautas sociais 

Além da atuação institucional e na inovação, Patrícia também se posiciona em pautas sociais, como o enfrentamento à violência contra a mulher. Para ela, o debate precisa ir além das formas físicas e considerar também violências psicológicas, morais e emocionais, muitas vezes invisíveis, mas com impactos profundos.

Nesse contexto, ela relaciona diretamente a importância da autonomia financeira feminina. Segundo Patrícia, muitas mulheres permanecem em relações ou contextos de violência não por escolha, mas por necessidade e dependência econômica.

“A autonomia financeira quebra ciclos, inclusive ciclos de violência. Ela abre portas, gera oportunidades e permite que a mulher viva todo o seu potencial”, afirma. “Eu sou a prova viva de que é possível empreender sendo mulher, sendo mãe, sendo avó. E ainda mais em áreas como tecnologia, que são predominantemente masculinas. A nossa visão enquanto mulher, ocupando esses espaços, abre caminho para outras mulheres também ocuparem. Nós começamos a empresa com praticamente 100% de mulheres. Precisamos mostrar que somos capazes, que somos fortes, que somos extremamente competentes”.

Apesar da longa trajetória em áreas marcadas por urgência, desigualdade e cobrança, ela afirma continuar movida pela possibilidade de aprender, servir e acompanhar o avanço de outras pessoas. O que a mobiliza, diz, é ver transformação concreta, perceber resultados e testemunhar o que parecia impossível se tornar realidade.



Ao olhar para frente, Patrícia evita delimitar um único projeto. Diz estar aberta ao que ainda pode construir, desde que haja impacto real na vida das pessoas. A medida do futuro, para ela, não está apenas no tamanho do cargo ou da estrutura, mas na quantidade de vidas que consegue alcançar ao redor.

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