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Manutenção do ar-condicionado é essencial para evitar riscos à saúde, diz especialista

17 de ago.
3 min de leitura

Entrevista com Suely Aragão, proprietária da Aragon Ar Condicionado, sobre os riscos da falta de manutenção e os erros mais comuns no uso doméstico do equipamento


“O que faz mal é o uso inadequado do aparelho. O conforto do clima é importante, mas o equipamento estar higienizado para uso é fundamental para manter a saúde”, destaca Suely Aragão
“O que faz mal é o uso inadequado do aparelho. O conforto do clima é importante, mas o equipamento estar higienizado para uso é fundamental para manter a saúde”, destaca Suely Aragão

Presente em praticamente todo lar e comércio brasileiro, o ar-condicionado costuma ser lembrado apenas quando para de gelar. A revisão periódica do equipamento, no entanto, é frequentemente ignorada — e os riscos vão além do desconforto térmico.

Segundo Suely Aragão, proprietária da Aragon Ar Condicionado, a falta de higienização adequada, que faz parte da manutenção do aparelho, pode provocar desde crises alérgicas até infecções respiratórias graves, como pneumonia e a Doença do Legionário.

À frente da gestão e da área comercial da empresa, Suely conta com uma equipe técnica responsável pelas instalações e revisões técnicas. Nesta entrevista, ela explica a diferença entre limpar e higienizar o aparelho, os sinais de que é hora de chamar um técnico e por que o hábito de ligar e desligar o ar-condicionado pode encarecer a conta de luz.


“O que faz mal não é o ar-condicionado, é o uso inadequado”


Segundo Suely, ainda persiste a crença de que o ar-condicionado prejudica a saúde. Ela rebate: o problema não está no equipamento, mas na ausência de manutenção. “O que faz mal é o uso inadequado do aparelho. O conforto do clima é importante, mas o equipamento estar higienizado para uso é fundamental para manter a saúde”, afirma.

Segundo ela, o cuidado vai além do que a maioria das pessoas imagina. Lavar o filtro e remover o pó, diz, não é suficiente para evitar problemas respiratórios.


Os riscos à saúde e ao bolso


De acordo com a especialista, a lista de problemas ligados à falta de manutenção inclui:

• Alergias — crises de rinite, sinusite e coceira nos olhos

• Problemas respiratórios — piora de asma, bronquite e tosse crônica

• Infecções graves — risco de pneumonia e da Doença do Legionário, causadas por bactérias acumuladas no aparelho.

O impacto também aparece na conta de energia. Segundo Suely, o acúmulo de sujeira faz o equipamento trabalhar mais para atingir a temperatura desejada, elevando o consumo elétrico — além de poder causar barulhos e entupimento nos tubos.


Limpar não é o mesmo que higienizar


Um dos pontos que Suely faz questão de esclarecer é a diferença entre limpeza e higienização — termos usados como sinônimos pela maioria dos clientes, mas que descrevem processos bem diferentes. “Quem limpa são as pessoas comuns, quem faz higienização são os técnicos. A diferença é que as pessoas comuns fazem a limpeza superficial, e os técnicos desmontam partes dos aparelhos e fazem a limpeza química tanto na evaporadora quanto na condensadora”, explica.

Ela alerta que uma limpeza externa mal feita pode gerar uma falsa sensação de segurança. “Isso poderia causar uma falsa impressão de assunto resolvido, e não é bem assim […]. Infelizmente já é muito comum isso ser feito — é o tal barato que sai caro depois”, diz.


Frequência recomendada e sinais de alerta



A recomendação da Aragon é que a manutenção residencial ocorra, no mínimo, duas vezes ao ano — mas a frequência ideal varia conforme o uso e o ambiente: presença de animais, quantidade de pó, tipo de imóvel (residência, restaurante, hotel) e tempo de uso diário.

Entre os sinais de que o aparelho precisa de manutenção, Suely cita cheiro, barulho, ar fraco, aumento na conta de luz e, em casos mais graves, goteiras ou água escorrendo pela parede.


O erro mais comum no uso diário


Um hábito recorrente, segundo a especialista, prejudica tanto o desempenho do aparelho quanto o bolso do consumidor: ligar e desligar o ar-condicionado ao longo do dia na tentativa de economizar energia. “O correto é, após o ambiente climatizar, aumentar um pouco a temperatura no controle se achar que está muito frio. O liga e desliga faz o consumo de energia aumentar, porque o equipamento terá que se esforçar para gelar o ambiente novamente”, explica.

Recomendações para quem tem ar-condicionado em casa

Suely resume em três pontos o que considera essencial para quem possui o equipamento:

1. Manter a manutenção preventiva em dia;

2. Desconfiar de preços muito abaixo do mercado, que costumam refletir na qualidade do serviço;

3. Na hora de comprar um aparelho novo, optar pela versão quente-frio, já que a diferença de valor é pequena frente ao benefício de uso durante o ano todo.

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