Câmara reúne especialistas em debate sobre violência contra a mulher

A Câmara Municipal de Bragança Paulista promoveu, na noite de quinta-feira (27/8), o colóquio Por que ainda precisamos falar sobre violência contra a mulher?, iniciativa da Curadoria da Mulher e da Escola do Parlamento, em alusão ao Agosto Lilás, mês de conscientização e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.
O encontro reuniu autoridades, especialistas, representantes de entidades e integrantes da sociedade civil para uma conversa sobre prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher. O plenário recebeu um público formado majoritariamente por mulheres, mas também contou com a presença de homens, reforçando uma das mensagens destacadas durante o evento: o enfrentamento à violência precisa envolver toda a sociedade.
Na abertura, a presidente da Curadoria da Mulher, vereadora Missionária Pokaia, destacou a presença do público e a importância de transformar a Câmara em espaço de escuta e debate. “É uma honra este plenário cheio de mulheres relevantes, mulheres com história, mulheres que superaram”, afirmou.
Participaram do debate a vice-prefeita de Bragança Paulista, Gislene Bueno; a vice-presidente da Curadoria da Mulher, Soninha da Saúde; a secretária municipal de Segurança e Defesa Civil, coronel Viviane Cristina Santana; a secretária municipal de Educação, Tatiana Canquerini; a presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB, Raquel Petroni; a guarda civil municipal Carmelita Valença; e a presidente da ONG Rendar, Nilva Zeitoun. A delegada da Mulher, Aline Ferreira, não pôde participar presencialmente devido a uma urgência em São Paulo.
Também estiveram presentes os vereadores Bruno Leme, Gabriel Gomes Curió e Manu do Consumidor; o presidente da OAB, Gustavo Risi; e o secretário municipal de Ação e Desenvolvimento Social, Marcos Roberto.
Prevenção e acolhimento
Ao abordar a atuação da rede de proteção, Carmelita Valença, que atuou diretamente no atendimento a mulheres vítimas de violência e participou da implantação do projeto Guardiã Maria da Penha em Bragança Paulista, chamou a atenção para a complexidade do rompimento do ciclo de violência.
Segundo ela, é necessário respeitar o tempo e as decisões da mulher, mesmo quando ela retorna a uma relação abusiva ou retira uma denúncia. “Nós temos o hábito de achar, quando a gente lida com a violência doméstica contra a mulher, que nós podemos decidir por ela”, afirmou. Valença defendeu um atendimento baseado no acolhimento e sem julgamentos. “A gente precisa não julgar. É muito difícil não julgar”, disse, ressaltando que profissionais e familiares precisam compreender as dificuldades enfrentadas pelas mulheres inseridas em ciclos de violência.
Outro ponto destacado foi a participação masculina no enfrentamento da violência. “Nós precisamos incluir os homens. Sozinhas nós não vamos conseguir, porque não é uma luta do homem contra a mulher, é uma luta para que o ser humano seja respeitado, independente da condição dele”, afirmou.
Educação e participação popular
A importância da educação na prevenção da violência também esteve entre os temas discutidos. As participantes destacaram a necessidade de trabalhar, desde a infância, valores como respeito e igualdade, além de identificar comportamentos de controle e outras formas de violência que podem surgir ainda na adolescência.
O debate também ressaltou a importância do acolhimento e da atuação integrada dos diferentes serviços. Para Nilva Zeitoun, presidente da ONG Rendar, é justamente por isso que o tema precisa continuar sendo discutido. “Nós realmente precisamos falar sobre mulher e violência doméstica”, afirmou.
A participação popular foi outro destaque do colóquio. O público teve espaço para perguntas, relatos e sugestões, levando ao debate temas como violência digital, violência obstétrica, violência contra a mulher negra, atendimento psicológico, além divulgação dos serviços disponíveis e a necessidade de ampliar as políticas públicas de enfrentamento. Uma das participantes compartilhou sua experiência pessoal de violência e falou sobre o processo de reconstrução da própria vida.
Durante o encontro, também foram discutidas ações para fortalecer a rede de proteção e o planejamento de políticas públicas no município. A vice-prefeita Gislene Bueno, responsável pela Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, destacou a importância da participação feminina e da construção coletiva de espaços de proteção. Ao lembrar sua trajetória na vida pública, Gislene Bueno ressaltou os avanços conquistados pelas mulheres e a importância da união entre elas. “Eu acho que essa união é o sucesso, é o que traz futuro pra gente no que diz respeito à proteção da mulher”, afirmou.
Ao final, a vereadora Missionária Pokaia destacou que a realização do colóquio reforça o papel da Câmara como espaço de diálogo e construção de políticas públicas. O encontro terminou com a defesa de uma atuação conjunta entre poder público, forças de segurança, educação, entidades, famílias e sociedade civil para fortalecer a prevenção, o acolhimento e a proteção das mulheres.




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